Na tentativa de reverter a decisão da Mirabela Mineradora de
encerrar as operações e demitir as centenas de funcionários, o deputado
estadual Eduardo Salles participou de diversas reuniões nos últimos dias.
"Estou fazendo a minha parte. Quero estar com minha consciência tranquila,
sabendo que fiz tudo o que estava ao meu alcance para evitar a suspensão das
atividades da empresa", diz o parlamentar. Na última segunda-feira (18),
Salles esteve em audiência nesta com o presidente da CODEBA (Companhia
das Docas da Bahia), José Rebouças, e o diretor de operações da mineradora,
Julio Sanches. "Foi uma reunião produtiva. A CODEBA se mostrou aberta a
negociações e confirmou que a mineradora pode oficializar solicitação de
benefícios equivalentes aos que existiam", conta o deputado. A solicitação
será submetida à aprovação da diretoria. O diretor da Mirabela também solicitou
ao presidente da CODEBA a possibilidade de reparcelamento da dívida da
Mirabela. "Essa dívida havia sido parcelada anteriormente em duas vezes. A
primeira metade já foi paga e, depois disso, foi feito um embarque no porto.
Mas a empresa está com dificuldades para fazer o pagamento da segunda
parcela", explica Salles. De antemão, o presidente José Rebouças e o
diretor comercial da CODEBA, Maurício Dorea, que também participou da
audiência, afirmaram que, após solicitação oficial da mineradora, levarão o
assunto à próxima reunião de diretoria da companhia para avaliação. A Mirabela
informará também através de ofício que parte de uma dívida que é discutível,
segundo parecer do departamento jurídico da mineradora, será judicializada para
que as partes possam discutir em juízo, sem necessidade de atrapalhar o
andamento das demais negociações.
Ocupação do MST
Além do acordo com a CODEBA, a mineradora alegou outros dois
motivos para o encerramento das atividades. Um deles era a ocupação pelo MST
(Movimento Sem Terra) à propriedade da empresa, no município de Itagibá. Quando
tomou conhecimento do fato, Eduardo Salles entrou em contato com o chefe da
Casa Militar da Bahia, Coronel Gomes, que enviou para o Comando da Polícia
Militar o documento encaminhado pelo judiciário que ordenava a reintegração de
posse. "A propriedade da empresa foi desocupada na última
sexta-feira", informa o diretor da empresa.
Acordo coletivo
A terceira justificativa da Mirabela foi a falta de entendimento
com os funcionários em relação ao acordo coletivo. "Venho conversando
sobre isso com Gilmar Oliveira, presidente do Sindicato dos Funcionários da
Mirabela. Hoje ele me afirmou que está pronto para sentar com a diretoria da
empresa para ajustar alguns itens e assinar os termos finais", conta o
deputado.
Suspensão das atividades
Mesmo com a solução dos pontos em questão, ainda há
possibilidade de suspensão das atividades da Mirabela. Foi o que disse o
diretor financeiro da mineradora, Milson Mundin, em reunião realizada nesta
terça-feira (19), no gabinete do deputado. De acordo com Mundin, a empresa
enfrenta dificuldades em fechar contratos de venda do níquel produzido. "O
cliente quer fazer um contrato de três anos, mas não podemos garantir produto
para depois de 2016, em função da operação atualmente estar sendo feita com
prejuízo", explica o diretor. A questão tem sido negociada intensivamente
pela presidente e diretores da empresa. No entanto, segundo Mundin, caso a
suspensão das atividades se concretize, a empresa manterá um grupo de trabalho
com o objetivo de que as operações sejam retomadas o mais rápido
possível.

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